Os sonhos
Estava conversando com alguns amigos sobre dúvidas que elas tinham sobre o cérebro humano…E muitos deles tiveram a mesma pergunta: Como nós sonhamos?
Então, para responder isso, resolvi escrever esse artigo!
Vamos separar por perguntas, depois as respostas das mesmas.
Como o cérebro fica durante o sono?
O que acontece nos diferentes estágios do sono?
Como o cérebro funciona durante o sono REM?
Quais estruturas do cérebro ficam ativas quando dormimos?
De onde vem os sonhos?
O que são os sonhos?
Como funcionam os sonhos no cérebro?
Por que temos sonhos com temas específicos?
O que o cérebro faz enquanto dormimos
Então, agora que já pontuamos todas as perguntas que me vem a mente, vamos para as respostas e explicações.
Como o cérebro fica durante o sono?
Para um contexto dessa resposta, devemos saber que o sono é tão importante quando comida e água e, sem ele, uma pessoa não consegue formar ou manter as conexões no cérebro, as quais permitem aprender e criar novas memórias, e também é mais difícil se concentrar e responder rapidamente.
Com isso em mente, temos várias estruturas do cérebro que ficam ativas enquanto dormimos, e essas estruturas ficam principalmente ativas durante os estágios do sono não-REM, que é a transição da vigília para o sono. “Durante esse período, que tem três fases diferentes, de acordo com a NIH, o batimento cardíaco, respiração e movimentos oculares diminuem, e os músculos relaxam com contrações ocasionais.
Na segunda fase do sono não-REM, as ondas cerebrais começam a desacelerar, a temperatura corporal diminui e os movimentos oculares param.
Já na terceira fase, que é o período de sono profundo necessário para se sentir renovado pela manhã, o batimento cardíaco e a respiração diminuem para os níveis mais baixos durante todo o sono, os músculos ficam totalmente relaxados e pode ser mais difícil ser acordado.
A fase final do ciclo do sono, que se repete várias vezes durante o repouso, é chamada de sono REM. Segundo a NIH, ela acontece cerca de 90 minutos após adormecer e é quando os olhos se movem rapidamente de um lado para o outro atrás das pálpebras fechadas. Daí vem o nome do estado: REM é a sigla em inglês para movimento rápido dos olhos.”, explica o site: nationalgeographicbrasil
Nessa fase final do sono, a atividade das ondas cerebrais se aproxima daquela observada durante a vigília, a respiração se torna mais rápida e irregular, e a frequência cardíaca e pressão arterial aumentam, quase alcançando os níveis de quando se está acordado.
O tronco cerebral, segundo a NIH, também desempenha um papel importante durante o sono REM: Ele envia sinais para relaxar os músculos essenciais para a postura corporal e os membros, a fim de que não haja movimentos bruscos durante os sonhos.
Também durante o sono REM, o tálamo fica ativo. Essa estrutura, segundo explica o NIH, atua como um regulador da corrente elétrica, controlando as informações recebidas pelos sentidos até que elas cheguem ao córtex cerebral, que processa e interpreta essas informações.
Na maioria dos estágios do sono, o tálamo fica silencioso, permitindo que a pessoa se desconecte do mundo externo. Mas, no sono REM, ele envia ao córtex imagens, sons e outras sensações que preenchem os sonhos.
Nessa etapa do sono, a amígdala, uma estrutura envolvida no processamento das emoções, torna-se cada vez mais ativa, informando ao cérebro que sentimentos estão sendo gerados pelos sonhos.
Quais estruturas do cérebro ficam ativas quando dormimos?
A primeira estrutura do cérebro qur fica ativa durante o sono é o hipotálamo. De acordo com o artigo da NIH, dentro do hipotálamo está o núcleo supraquiasmático, aglomerados de milhares de células que recebem informações sobre a exposição à luz diretamente dos olhos e controlam o seu ritmo comportamental, afetando o estado de sono e de vigília. É essa parte do cérebro que diz ao nosso corpo, pela quantidade de luz, se é hora de repousar ou de estar alerta.
Como dito anteriormente, o tronco cerebral, o tálamo e a amígdala também estão presentes, além da glândula pineal, que em conjunto a essas estruturas, recebe sinais do núcleo supraquiasmático e aumenta a produção do hormônio melatonina, que ajuda a induzir o sono quando as luzes se apagam.
De onde vem os sonhos?
Os sonhos não são controlados por um único centro de controle — eles emergem de uma rede de regiões cerebrais que trabalham juntas. Pesquisas mostram que a rede de modo padrão (DMN), um sistema ligado ao pensamento espontâneo e à imaginação, permanece ativa durante o sono REM e pode ajudar a construir o fluxo narrativo dos sonhos.
Os lobos parietais, que ajudam o cérebro a compreender o espaço e a localização das coisas, são considerados responsáveis pela qualidade imersiva e vívida dos sonhos — como caminhar por uma sala ou sobrevoar uma cidade. A junção temporoparietal (JTP), onde os lobos temporal e parietal se encontram, tem sido associada à autoconsciência durante o sonho e pode desempenhar um papel fundamental no sonho lúcido , que ocorre quando alguém percebe que está sonhando enquanto o sonho está acontecendo.
Então, experimentamos a visão quando ondas de atividade viajam da ponte para o núcleo geniculado lateral e, em seguida, para o córtex occipital (essas ondas são conhecidas como ondas ponto-genículo-occipitais ou ondas PGO). Quando os picos de atividade chegam ao polo occipital, temos a sensação de estar vendo mesmo com os olhos fechados. Presume-se que a atividade do córtex visual seja a razão pela qual os sonhos são pictóricos e cinematográficos, em vez de conceituais ou abstratos.
Ondas PGO. Como prelúdio ao sono REM, ondas de atividade se movem do tronco encefálico para o córtex occipital.
O que são os sonhos?
De forma simples, os sonhos são experiências que vivemos enquanto dormimos. Via de regra, os sonhos são experiências subjetivas, visuais e emocionais. Um sonho é um conjunto de imagens e outros elementos que o cérebro vivencia durante o sono. Mas, para a neurociência e a psicanálise, esse conceito pode ficar mais complexo.
Para os neurocientistas, nossos sonhos têm objetivos funcionais para o cérebro, que serão abordados mais adiante. Os psicanalistas, no entanto, têm outra visão.
Para esses estudiosos e profissionais, os sonhos são uma maneira de acessarmos aspectos inconscientes da psique — ou seja, questões às quais não temos acesso direto enquanto estamos acordados. Segundo a psicanálise, os sonhos são capazes de expressar, por exemplo, nossos medos e desejos mais profundos e ocultos.
Mas ainda não sabemos o por que sonhamos…”Diversos estudos e observações produziram uma série de teorias sobre a função dos sonhos:
- Simulação de ameaça: essa teoria sustenta que as pessoas praticam nos sonhos como lidar com ameaças. Neles, o indivíduo pode lutar contra leões, escapar de uma gangue ou responder com firmeza quando é humilhado. São simulacros, diz Balgrove: "Essa prática, embora você não consiga se lembrar ao acordar, ajuda você a se manter em forma durante as horas de consciência".
- Consolidação da memória: essa teoria afirma que à noite o cérebro está trabalhando na compilação de lembranças. Assim, o estranhamento que às vezes se manifesta nos sonhos pode ser resultado da tentativa do cérebro de vincular duas coisas que normalmente existem de forma independente, mas precisam se relacionar.
- Redução do medo: essa teoria diz que aprendemos ou acumulamos muitos medos quando estamos acordados, e ao dormir, reduzimos as preocupações ao sonhar com nossos temores, mas possivelmente em um contexto diferente. Isso ajudaria a eliminar ou reduzir o medo...”, explica bbc.com
Como funcionam os sonhos no cérebro?
Enquanto dormimos, o nosso cérebro trabalha bastante para processar as memórias que tivemos ao longo do dia e descobrir quais devem ser enviadas para a “lixeira” e quais devem ser fixadas. É por isso que o sono é tão importante para o aprendizado.
Pessoas que lidam com muito estresse ou sofrem com problemas como insônia, depressão e ansiedade têm mais dificuldade para atingir o estágio REM do sono. Isso não significa que elas não sonhem, mas sim que podem ter problemas de memória, por exemplo.
Por que temos sonhos com temas específicos?
O cérebro utiliza o período de sono, especialmente a fase REM, para processar emoções, consolidar memórias do dia a dia e lidar com questões não resolvidas. Os temas específicos funcionam como metáforas que a mente cria para lidar com ansiedades, estresses, desejos ou memórias recentes, muitas vezes repetindo enredos para alertar sobre pendências emocionais.
Quando a temática do sonho se repete com frequência, é porque os sonhos têm conteúdos que estão ligados a situações emocionais que não foram bem resolvidas. Sonhos repetitivos representam, normalmente, algo impactante vivido em algum momento da vida ou durante um período.
O que o cérebro faz enquanto dormimos?
1- Armazena memórias: Enquanto estamos dormindo, nosso cérebro processa todas as informações coletadas durante o dia e a partir disso, cria memórias, armazena as lembranças necessárias e descarta aquilo que não é importante. Este processo é parecido com o do computador enquanto ele está desligado.
2- Limpa toxinas: Você sabia que o nosso cérebro também realiza uma limpeza? Isso acontece durante o nosso sono. São ativados todos os mecanismos que são responsáveis por limpar os resíduos nocivos que são acumulados durante o dia.
3- Toma decisões: Já imaginou tomar decisões durante o sono? A revista científica Current Biology realizou uma experiência na qual os participantes escutavam palavras e tinham que apertar o botão em que a palavra se encaixava, sendo singular ou plural. Enquanto dormiam, o cérebro reagia de forma semelhante, ou seja, mesmo enquanto dormimos, somos capazes de tomar decisões através da atividade cerebral.
4- Faz conexões importantes: O nosso cérebro é capaz de fazer conexões entre coisas que podem parecer não ter relação, o que nos leva a momentos de compreensão sobre acontecimentos ao nosso redor e pode nos gerar ideias fantásticas sobre alguma coisa.
5- Lembra e aperfeiçoa tarefas físicas: Que tal praticar exercício sem sair da cama? Durante o sono, as chamadas “fusos do sono”, que são rajadas de ondas de alta frequência, transferem informações sobre tarefas motoras do córtex motor para o lobo temporal, assim, você aprende movimentos físicos e corrige sua coordenação motora enquanto dorme.
Fontes:
Além das já mencionadas no texto, temos mais essas…
nationalgeographicbrasil.com



Eu amei o quão bem escrito está esse post! Nunca na vida que eu ia ter a curiosidade (e o tempo) de procurar essa informações. Você é super necessário a humanidade. GRATA!
Parabéns pelo texto. Esclarecedor, mas surfando na sugestão de Luan, você poderia escrever sobre paralisia do sono?